—Quan... to... ha de mais real... e nas mê... mêsmas circunstancias, appoiou o principe. Minha me... nina, proseguiu com summa delicadeza dirigindo-se á Zina cada vez mais atrapalhada, juro-lhe que jamais me atreveria a proferir o seu n... ôme, se acaso o não tivessem outros... mencion... ado antes. Foi um sonho de... licioso... uma... de... licia de um... sonho! E folgo immenso... em ter ensejo... de o manifestar Um encanto!... Um encanto!

—Mas, como se intende isto? Elle insiste em se referir ao tal sonho! murmura a Anna Nikolaievna dirigindo-se a Maria Alexandrovna, inquieta e um tanto enfiada.

Mas, ai! O coração de Maria Alexandrovna está alanceado por tristissimos presentimentos.

—E então? murmuram as damas a olharem umas para as outras.

—Ora vamos, principe, profere Maria Alexandrovna com um sorriso amarello, confesso-lhe que me deixou pasmada.—Admira-me que esteja a insistir n'essa sorna do tal sonho! Eu até agora, estava na fé, de que fosse méro gracejo da sua parte... mas... se o é, ha de convir, que se vae prolongando um tanto fora de proposito... Não posso nem devo admitir que seja outra coisa além de uma distracção...

—Deve de ser por distracção, efectivamente, assobia a Natalia Dmitrievna.

—E... stá... c... claro!... Di... distracção! repete o principe sem perceber o que é que d'elle pretendem... Ora... ima... ginem, vou contar-lhes uma anecdó... ta. Fui convidado{164} pa... ra assistir a um enterro, em Petersburgo, n'uma casa burguêsa, mas decente, e... e fiz confusão... suppús que era para festejar o nas... cimento de uma creança, (o tal dia... nata... licio já lá... ia, havia mais de uma semana)... e fui comprar um lindo rama... lhete de camelias para a pessoa... fes... tejada. Entro... e que hei de eu ver? Um su... jeito mui... to digno, de uma certa edade, estendido em cima da mesa... Fiquei passádo, sem saber onde me havia de meter e mais o meu ramo.

—Pois sim, principe, não se trata agora de anecdótas! atalhou Maria Alexandrovna despeitadissima. Minha filha, louvado Deus, não tem necessidade de andar á pesca de noivos, mas inda agora, o senhor, em pessoa, ali ao pé d'aquelle piano, a pediu em casamento. Ninguem o obrigava... para mim propria foi uma surpreza... mas sou mãe, e ella, é minha filha... Acaba de referir-se a um sonho; sempre estive na fé de que fosse uma allusão aos seus esponsorios... Sei e mais que sei, que o viraram de dentro para fora—desconfio quem fosse—tal qual uma luva, mas...—queira explicar-se, principe, e queira fazêl-o quanto antes! Semelhantes gracejos não tem cabimento n'uma casa respeitavel.

—E... stá.. c... claro! Não são brin... cadeiras para... uma casa respeitavel, concorda o principe... inconsciente, mas um tanto inquieto.

—Então, não me responde, principe! Já lhe pedi que quisesse explicar-se de modo peremptorio: confirme, confirme, desde já, diante de toda a gente, o facto de haver pedido hoje minha filha em casamento.