—Que vaes tu dizer, Zina! Bem me dizia o coração que me estava ainda guardado mais este desgosto!

—É assim mesmo, mamã! Vou declarar tudo! Nem sei como não morri de vergonha... cobrimo-nos de opprobrio, tanto a mamã como eu...

—Estás exagerando, Zina! Nem sabes o que estás dizendo! Contar tudo, para quê?... Não ha a minima necessidade... Quem se cobriu de opprobrio não fômos nós, e vou provál-o!

—Deixe-me falar! Não quero estar calada por mais tempo na presença de uma gente que desprézo e que vieram aqui unica e exclusivamente para se rirem á nossa custa. Entre estas mulheres, sem excepção, não ha uma unica a quem assista o direito de me condemnar! Todas ellas estão prontas a fazer cem vezes peor do que fizemos, eu, e a mamã. Com que direito poderiam ellas, com que direito se atreveriam a fazêl-o?

—Então! Já viram?

—Quem n'a ouve falar!...

—Mas está nos offendendo!...

—E ella, sim, que será?

—Ella sabe lá o que está dizendo? remata a Natalia Dmitrievna. Seja dito, entre parenteses, que a Natalia Dmitrievna não deixava de ter razão. Se a Zina considerava aquellas damas indignas de julgar á mãe e a si, por que era então que se ia confessar na sua presença? Em summa, a Zina tinha procedido com excessiva precipitação. E mais tarde, era esta, até, a opinião das pessoas mais sensatas em Mordassov. Tudo se poderia haver conciliado. É certo que Maria Alexandrovna, pela sua parte, se havia{172} prejudicado pela sua precipitação e sua altivez. Ter-lhe-hia bastado meter a ridiculo o idiotazito do ginja e pôl-o a andar. A Zina, comtudo, de caso pensado e como que para arrostar com o bom senso e a sisudez mordassovense, dirigiu-se ao principe.

—Principe, diz a Zina ao velho que desde logo se põe de pé com deferencia, a tal ponto o impressionou a fisionomia da Zina, queira perdoar-nos, mas saiba que o enganámos!