Quin, de pé no alto do morro, estendeu a mão em direção à avenida principal do Jardim de Kensington.

— A duzentos metros de distância, estão todos os seus conhecidos elegantes com nada para fazer na terra exceto olhar para si mesmos e para nós. Estamos de pé sobre uma elevação sob o céu aberto, como se fosse um pico de fantasia, um Sinai de humor. Estamos num grande púlpito ou plataforma, iluminado com a luz solar, e metade de Londres pode nos ver. Tenha cuidado com o que sugerir para mim. Porque há em mim uma loucura que vai além do martírio, a loucura de um homem completamente ocioso.

— Não sei do que você está falando — disse Lambert, com desprezo. — Só sei que prefiro você preso na sua cabeça tola, do que falando tanto.

— Auberon! Pelo amor de Deus.... — gritou Barker, saltando para a frente, mas foi muito tarde. Faces de todos os bancos e avenidas se viraram em sua direção. Grupos pararam e pequenas multidões se reuniram, e a luz do forte sol pegou a cena toda em azul, verde e preto, como uma imagem em uma livro infantil. E no topo da colina o pequeno Sr. Auberon Quin estava, com destreza atlética considerável, de ponta cabeça, e acenando com suas botas de couro no ar.

— Pelo amor de Deus, Quin, levante-se e não seja um idiota — gritou Barker, torcendo as mãos — teremos a cidade inteira aqui.

— Sim, levante, levante-se, homem — disse Lambert, divertido e irritado. — Eu só estava brincando, levante-se.

Auberon o fez com um salto, e atirando seu chapéu acima das árvores, começou a pular em uma perna com uma expressão séria. Barker passou a bater o pé no solo descontroladamente.

— Oh, vamos para casa, Barker, e deixá-lo — disse Lambert —, alguns policiais adequados e corretos vão cuidar dele. Aí vêm eles!

Dois homens de aparência séria com uniformes discretos vieram até o morro na direção deles. Um deles trazia um papel na mão.

— Lá está ele, oficial — disse Lambert, alegremente. — Não somos responsáveis por ele.