— Um curioso costume antigo — explicou ele, sorrindo acima das ruínas. — Quando o Rei recebe os representantes da casa de Barker, o chapéu do último é imediatamente destruído dessa maneira. Representa a finalidade absoluta do ato de homenagem expressa na remoção do mesmo. Ele declara que nunca, até que o chapéu surja mais uma vez em sua cabeça (uma contingência que acredito firmemente ser remota), poderá a casa de Barker rebelar-se contra a coroa da Inglaterra.
Barker estava com o punho cerrado, e os lábios agitados.
— Suas piadas — começou ele — e minha propriedade.. — e, em seguida, explodiu com um palavrão, e parou de novo.
— Continue, continue — disse o Rei, acenando com as mãos.
— O que significa tudo isso? — exclamou o outro, com um gesto de racionalidade passional. — Está louco?
— Nem um pouco — respondeu o rei, agradavelmente. — Os loucos são sempre graves, enlouquecem por falta de humor. Está ficando muito sério, James.
— Por que não pode manter isso na sua vida privada? — queixou-se o outro. — Agora, tem muito dinheiro, e abundância de casas para bancar o tolo, mas no interesse público...
— Epigramático — disse o rei, apontando o dedo, infelizmente para ele. — Nenhuma de suas ousadas cintilações aqui. Quanto ao porquê de não fazer isso em particular, não consigo entender a sua pergunta. A resposta é de comparativa limpidez. Não o faço em particular, porque é mais engraçado fazê-lo em público. Parece pensar que seria divertido ser dignificado no salão de banquetes e na rua, e na minha própria lareira (eu poderia adquirir uma lareira) manter todos rindo. Mas isso é o que todos fazem. Todo mundo é sério em público, e engraçado em privado. Meu senso de humor sugere a inversão desta; sugere que se deve ser engraçado em público e solene em particular. Desejo fazer das funções de Estado, os parlamentos, coroações, e assim por diante, uma antiquada pantomina para o riso. Por outro lado, eu me tranquei sozinho em uma pequena despensa por duas horas por dia, onde sou tão digno que me sinto mal.
Por esta altura, Barker andava para cima e para baixo da sala, sua sobrecasaca batendo como as asas de um pássaro preto.
— Bem, você vai arruinar o país — disse secamente.