Representam: o Presepe, Adoração dos Reis, Annunciação, a Virgem e Santa Isabel, S. José e Nossa Senhora, o Transito de Nossa Senhora.

Os rostos, muito finamente tocados, parecem retratos, nos vestuarios não ha phantasias, o pintor reproduziu o que tinha á vista; mesmo o agrupamento, a composição dos quadros, agrada. Tem um lindo tom; limpando um pouco, com o lenço humedecido, um cantinho de uma d’estas pinturas appareceu logo o tom de esmalte que, infelizmente, tantos outros perderam.

Esses seis quadrinhos são bem notaveis.

Na capella-mór da egreja do Varatojo vi quatro grandes paineis, bem conservados: Annunciação, Jesus resuscitado, Adoração dos Reis e Adoração dos pastores. Devem ser parte de uma série. Não lhes vejo relação com as séries do Museu de Bellas-Artes.

Na ante-sacristia, o Presepe, quadro pequeno; na sacristia, um Milagre de Santo Antonio e a Descida do Espirito Santo, paineis de grandes dimensões e em bom estado.

Em Santa Maria do Castello ha pinturas antigas em madeira, no corpo da egreja e na sacristia; estes ultimos são quadros menores, representando os episodios classicos da paixão; soffreram retoques pouco felizes; o que nelles mais padeceu foi o colorido.

O desenho das figuras; o aspecto, merece nota; tem um tom archaico; lembraram-me muito umas pinturas que existem no Museu das Janellas Verdes, em que os bigodes apparecem meio-rapados e as barbas com um córte especial.

Todos estes paineis, que vi em Torres Vedras, me parecem de origem portugueza, com ligeiras, attenuadas reminiscencias de influencia flamenga, e com pequena parte, ou nenhuma, do renascimento; por isto os achei importantes para a historia da pintura portugueza.

O Tumulo dos Perestrellos

A egreja parochial de S. Pedro de Torres Vedras tem a sua porta principal voltada a poente, como todos os templos antigos, medievos, da interessante villa. Essa porta é muito ornamentada em estylo manuelino; sobre o arco assenta um escudo bipartido com armas do rei e da rainha. Em dois arcos do cruzeiro ha tambem ornamentação no mesmo gosto, mais singela. A egreja tem tres naves, a central é coberta de madeira apainelada, com as molduras pintadas e douradas. As naves lateraes conservam ainda trechos de antigas abobadas com artezões. Parte das paredes está vestida de azulejos brancos e verdes, em uso nos seculos XVI e XVII. Ha em varios pontos da egreja e capellas outros typos de azulejo de épocas mais modernas.