No claustro da mesma sé ha estatuas de santos, e o apostolado no portico, dos seculos XIII a XV.

Do renascimento, com anatomia estudada, posição ao natural, temos um exemplar esplendido no celebre S. Jeronymo, que está no cruzeiro de Santa Maria de Belem.

Seguem-se as estatuetas em madeira com lavores a ouro sobre fundo preto, ou vermelho, o estofado, genero que foi muito empregado em Portugal.

Dos italianos, largas roupagens, cabeças de expressão, attitudes artisticas, póses estudadas, ha modelos mui significativos na antiga egreja dos Barbadinhos onde actualmente está a parochial de Santa Engracia. No seculo xviii a estatuaria religiosa segue a corrente da época; no seculo xix, a meio, começa a esculptura franceza a dominar com as suas fórmas gentis; vem a imagem fina, bem gravada, suavemente colorida; vem a elegante estatua da Salette, depois Lourdes, a fina dama, de cabeça pequena, fórma esguia, expressão de sonho. Nos templos agora por toda a parte domina a estatueta de gesso, e a oleographia franceza; o lindo santo risonho e muito penteado, a gentil santinha branca, a pretenciosa oleographia na sua moldura de baguette dourada. O Senhor dos Passos, de tez livida, negros cabellos, olhar severo, passaria de moda, se não estivesse firme em antiga tradição.

Na iconographia religiosa ha, atravez as idades, séries determinadas, e assim se póde vêr como os artistas de varias épocas executaram as figuras de Jesus Menino, ou imaginaram os rostos de anjos e seraphins.

Quando ha pouco se agitou a questão do santo sudario de Turim viu-se bem onde póde chegar o interesse d’estes estudos; n’este caso á origem da pintura, e dos seus processos.

Certas imagens, por exemplo, Senhor dos Passos, Senhor Morto, são, na grande maioria, da mesma época; outras são de todas as épocas, a Virgem, o Crucificado, Jesus Menino. Póde reunir-se uma série de imagens da Virgem do seculo XII para cá. E assim do rosto e cabeça do divino Nazareno. É interessante vêr como os artistas, atravez os tempos, trataram de interpretar o aspecto do sublime mestre.

Ha pouco, n’uma estação de banhos dos Cucus, tive occasião de passeiar por Torres Vedras, e andei pelas egrejas a vêr esculpturas e pinturas, inscripções, velharias.

A imagem da Senhora do Sobreiro, no Varatojo, é antiga; segundo a tradição é do seculo XII; póde ser, e todavia não me parece tão antiga como a da Sé de Evora, ou a de Santa Maria da Oliveira, em Guimarães (a primitiva imagem).

Na egreja de S. Pedro vi a imagem de S. Pedro d’Alcantara; rosto, garganta e mãos bem esculpidas, expressão de fervor na oração, arrebatamento; roupagem larga, em grandes pregas; no todo uma estatua elegante, que prende a attenção; talvez de artista italiano.