Na egreja da Graça reparei mais nas estatuas de Santa Monica e Santo Agostinho, que estão em nichos no grande retabulo de obra de talha, do seculo XVII, interessante exemplo de transição do estylo classico para o rococó usado na época de D. João V.

N’essas estatuas de Santa Monica e Santo Agostinho o estofado, ouro sobre branco e vermelho, é accentuado por fino relevo, que dá ás vestes aspecto opulento; a esculptura é muito correcta.

A estatua de S. Gonçalo de Lagos, na sua capella, é elegante: o santeiro fez-lhe a cabeça um tanto pequena, e a cintura delicada; a roupagem está bem lançada.

Na Misericordia dei mais attenção ao Senhor Morto, porque me parece o mais antigo que conheço; não se repare na encarnação; é uma estatua rigida, hirta, feita com certa rudeza mas com attenção. Parece-me anterior ao seculo XVI.

Em Santa Maria do Castello vi esculpturas boas: um Jesus Menino bem notavel e antigo.

E mais antigas ainda me parecem algumas imagens que vi na ermida da Senhora do Amial, a Senhora do Ó, o S. Vicente, e especialmente a Senhora de Rocamador talvez do seculo XIII.

Será bom reparar n’estas obras d’arte, mórmente agora por causa da invasão franceza de estatuetas e oleographias baratas.

Uma cadeira do seculo XV

A pouca distancia, uns tres kilometros, a poente de Torres Vedras fica o convento do Varatojo; é um bonito passeio a pé, atravessando a varzea, e subindo lentamente a vereda, descobrindo successivamente aquella região de serras e cabeços, em grande parte vestida de vinhedos, agora n’este mez d’agosto, mui viçosos.

Em trem, o caminho é mais longo, por causa de grande rodeio, seguindo pelo campo do Amial, onde ha uma ermida muito antiga e interessante, cortando depois os campos do Paul, e subindo a encosta por estrada um tanto ingrata; a estrada nova cheia de covas e poeira, a antiga coalhada de calhaus.