No domingo, 14 d’agosto de 1904, assisti á missa na egreja de S. Pedro. Muita gente, com bastante respeito. Á sahida fiz de janota parado á porta da egreja para vêr o desfilar dos devotos. Primeiro os homens dos campos, das vinhas, com seus varapaus; mulheres do campo de chale, lenços mal postos na cabeça, á larga. Seguiram as mulheres da villa; caras agradaveis poucas, expressões duras não estupidas nem alvares; na grande maioria cabellos castanho-escuro; cabellos pretos mais raros; algumas cabelleiras ruivas, e algumas pelles sardentas.

Cabellos corredios, na maioria, poucos em madeixas.

Alguns olhos azues, pelles avermelhadas.

Homens de construcção regular, as mulheres de thorax estreito, pouco seio, mal geitosas.

Durante a missa os homens não largam os varapaus; quando ajoelham vê-se grande numero, porque se encostam, e não deitam no chão o inseparavel.

Usam o simples marmelleiro ou zambujeiro, raros os paus ferrados.

As mulheres usam poucos ornatos, e pouco ouro.

No terreiro proximo da egreja faz-se o mercado. Vendiam melões, melancias, uvas lindas, brunhos varios, maçãs grandes, variedade de peras, aboboras, tomates, pouca hortaliça.

No mercado de peixe, atraz da egreja, sardinha e sarda, fresca e salgada, cação, gorazes; o peixe vem de Nazareth e de Peniche.

Mulheres do campo aviavam os seus cabazes; levavam pão, meio cento de sardinhas, meia duzia de sardas.