A um cantinho do mercado estavam algumas mulheres com polvo, mexilhão, caranguejos grandes. Não faltava a mulher dos tremoços e da pevide de abobora. Dois homens vendiam planta de couve. Vi ainda vendedores de enxadas, e de calçado forte, sapatos de dura.
Os homens na maioria usam botas altas.
Todo o povo d’estes sitios é calçado, só por excepção vi gente descalça. Isto de pé descalço é uma inferioridade, que talvez acabasse com um pequeno impulso.
Dizem-me que a gente hespanhola está toda calçada já, tem conseguido o sapato e a alpargata de preço baixo. Talvez que as commissões parochiaes de beneficencia podessem resolver o problema. Eu acho o pé descalço uma cousa deprimente, que entristece.
Na pequena praça do Municipio (em 1904) faz-se o mercado da batata; mal se transitava tanta era a saccaria; vende-se a batata arrobada; pareceu-me de boa qualidade. Em 1905 este mercado fazia-se no largo de S. Thiago.
Pelas lojas nas ruas proximas grande freguezia, de gente dos arredores que ao domingo vem mercar á villa.
Ha movimento commercial em Torres, lojas com muitos contos de réis em existencia. A villa é pequena mas os arredores são muito povoados.
Vi industria de ferragens e mobilia especial, com algum geito.
Pelo aspecto geral é gente que trabalha, sobria, um tanto rude.
É escusado dizer que o fomento official é nullo, depois da pobre escola primaria nada mais; algumas creanças vão de Torres ao Varatojo! para aprender alguma cousa; uma caminhada de uma hora.