Ha estatuas no jardim, na parede do tanque, dentro do tanque, na varanda da galeria, em nichos, nos vertices dos pavilhões!
Entre matizes de flores e aromas riem faunos, dançam nymphas, os deuses teem sorrisos benevolentes.
Brilha ao sol o paganismo.
Na gruta maior que abre para o tanque está o Parnaso, um monte com o Pégaso alado e galopante, e em roda, a variadas alturas, Apollo e as Musas, estatuetas em fino marmore.
Na parede da galeria quadros de azulejo com figuras de cavalleiros, doze na frente, dois nos lados, os cavallos a galope, parecendo que vão entrar em renhido torneio.
Á esquerda, olhando para a galeria, ha muitos retratos, em azulejo, dos Mascarenhas, condes de Obidos, Torre, Santa Cruz, marquezes de Fronteira; á direita, fronteando os retratos, estão representados os brazões.
Na galeria em nichos forrados de azulejos hespanhoes, de reflexo metallico, uns acobreados, alguns de tom azul, bustos dos reis de Portugal, entrando o conde D. Henrique, e o infante D. Fernando o santo. Os ultimos bustos d’esta galeria, os de Affonso VI e Pedro II, são os de melhor trabalho. Uma porta communica para o jardim alto ou moderno; segue a segunda galeria dos reis, D. João V, D. José, D. Maria I e D. João VI. Sobre a porta entre as galerias um busto do imperador Tiberio, talvez copia de busto authentico.
Estatuas mythologicas, faunos prasenteiros, gentis nymphas dançantes, ornam plinthos no jardim, e as balaustradas. Azulejos estranhos, hespanhoes e hollandezes, fazem rodapés, representando scenas familiares, caçadas, episodios agricolas.
Embrechados finos de buzios e conchas, fragmentos de louças orientaes, vidros pretos, cristaes de rocha, bocados de escorias, em complicados desenhos, forram paredes das cascatas. N’uma grande parede do jardim molduras e ornatos em faiança, folhagens, flores e fructos no genero chamado dos Della Robia.
Neptuno e o seu cortejo, em grande quadro de azulejo; outro em relevo de alvenaria infelizmente em grande estrago, cumprimentam um rio, o Tejo, provavelmente.