Num quadro de azulejo o ratão do artista representou Jupiter, e pintou ao lado o nome assim: Ghvptre.
No jardim moderno, entre fetos magnificos e grande collecção de camelias, ha uma fonte central, de taça, com a estatua de Venus. O pé da taça é um grupo de golphinhos lavrado num lindo bocado de marmore com laivos avermelhados.
Dizem que a esta Venus se refére Tolentino na satyra intitulada A funcção.
Musa basta de rimar
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... sincera velha
Pondo contra a luz a mão
E crendo que nesta rua
Está São Sebastião
De Venus á estatua nua
Faz mesura e oração.
É bem interessante a historia dos jardins; conhecem-se exemplos do Egypto, da Assyria; celebres entre os romanos os de Plinio e de Sallustio, ornamentados de terraços, fontes, estatuas.
Cultivavam rosas, lyrios, violetas, malvas, algumas arvores e arbustos cortados e aparados em feitios caprichosos, como o louro e o buxo; estimavam muito o esguio cypreste, e a vinha como planta decorativa.
E neste ponto tinham muita razão porque a parreira faz lindo ornato, com mudança de tons, gracilidade de curvas, além do encanto do cacho, quer se applique a edificios ou se enrosque em arvores.
Mas os jardins conservaram-se regulares e symetricos durante seculos.
O jardim irregular, de imprevistos, o jardim-paisagem é mais moderno.
Ha muitos livros sobre jardins e construcções architectonicas especiaes, fontes, repuxos e grandes jogos d’agua, cascatas, terraços, caramanchões e pavilhões. Merece ver-se o livro de Alicia Amherst, intitulado: A history of gardening (London, 1896), e L’art des jardins por Jorge Riat, que faz parte da Bibliothèque d’Enseignement des Beaux-Arts; qualquer d’estes livros indica sufficiente bibliographia.