É um encanto aquelle sitio de S. Domingos; o terreiro com seu antigo arvoredo dispõe bem o visitante da egreja, uma pobre egreja que é um ninho de recordações portuguezas.

Entrando, á esquerda, o sarcophago de «Vasco Martins da Albergaria, cavalleiro fidalgo da casa do sr. infante D. Henrique e seu camareiro mór, filho de Affonso Lopes da Albergaria, o qual passou da vida deste mundo das feridas que houve na tomada e no descerco de Ceuta aos... dias do mez de dezembro da era de Jesus Christo, de 1436 annos».

É um pequeno sarcophago de tampa alta; o letreiro na facha anterior da tampa e da arca. No meio o brazão com a cruz de Aviz sanguinha, aberta e floreteada, com oito escudetes azues das quinas reaes. Aos lados do escudo uma fita em relevo onde se lê a divisa porêm vede bem.

Á direita o tumulo de João das Regras, encimado pela estatua onde evidentemente o esculptor quiz reproduzir o aspecto do famoso jurisconsulto. Tem barrete e habito de lettrado; a gola larga segura por tres botões. Na mão direita sobre o peito segura um livro. Os cabellos um tanto ondeados cahindo sobre a fronte. Á esquerda da figura a espada com o cinturão enrolado. A espada está tratada com minucia, o punho lavrado em linhas, o extremo com sua flor; é uma espada direita, larga, curta. O cinto é lavrado tambem de flores, tendo bem definidas a fivella e a ponteira.

Aquella estatua é um documento precioso de indumentaria.

O tumulo tem inscripção, escudos; assenta sobre quatro leões de marmore. Não é este o unico varão illustre cujo nome se encontra no mosteiro; fr. Vicente (1401), outro amigo do mestre de Aviz, e Diogo Gonçalves Belliago (1410) teem alli as suas inscripções sepulcraes, assim como fr. Arnáo (1502).

Na capella de S. Gonçalo de Amarante ha algumas estatuas em marmore de Carrara, de valor artistico.

O sacrario é de madeira entalhada, de grande elegancia, principalmente no corpo superior.

Bons azulejos vestem as paredes, assignados por Antonio de Oliveira Bernardes.

No cruzeiro jazem muitas pessoas distinctas, principalmente da casa Fronteira e Alorna; o ultimo que alli foi repousar o célebre D. Carlos de Mascarenhas, fallecido em maio de 1861.