Era uma corrente, uma orientação bem diversa da actual.


15 de junho, manhã, cedinho.—Da janella do meu quarto vejo no casal os homens de trabalho juntando mólhos em fascaes. Junto da terra do Lopes estão carregando fêno; muito está emmólhado na terra, não se póde emmédar porque está humido da chuva. Já se ceifa trigo; na terra do Castello anda um grande grupo de trabalhadores; para o lado de Falagueiras tambem. O trigo do Alto da Tonta está prompto a ceifar, está lindo, de um louro claro; á passagem do vento faz brandas ondas douradas. O da terra do Lopes tem um verde intenso. Agora distinguem-se bem os trigos de inverno e os da primavera, uns muito louros, outros em verde carregado.


Domingo, 19 de junho.—Festa das ervas para remedios em Alfornel, hoje em decadencia completa; vae mudando tudo. Antigamente era muito concorrida, vinha muita gente de Lisboa, que se espalhava pela serra procurando plantas medicinaes. Agora é rara a pessoa que conheça bem as ervas e saiba aproveital-as: e os ervanarios teem dado em droga.

—Nas boticas ha tanto remedio...

—Eu lhe digo, o boticario, eu ainda aqui conheci botica e boticario, comprava ervas para remedios, agora o pharmaceutico nem nada. Está tudo mudado!

O que não mudou foi a vegetação da serra, onde se encontra uma variedade singular de plantas.

Segundo o celebre Sande Elago, as plantas medicinaes dividem-se em classes correspondentes aos sete planetas: saturninas, joviaes, marciaes, solares, venereas, mercuriaes e lunares.

A versão portugueza de Elago (Compendio de Alveitaria tirado de varios auctores, composto na lingua hespanhola por Fernando de Sande Elago. Lisboa, Impressão Regia, 1832, in-4.ᵒ) merece attenção por, entre outras cousas, trazer uma grande relação de plantas com os seus nomes em vulgar.