Proximo de S. Julião ha uma fonte milagrosa. Tem duas bicas, que deitam aguas de nascentes diversas, de modo que teem sabôres varios. E seus azulejos com as imagens de S. Julião e Santa Basilissa, e a data 1788.

Teem virtude estas aguas para doenças de olhos, e outras, para todas creio eu, mas é preciso beber, ou lavar-se com as duas aguas. São complementares.

Por occasião da festa foram muitas pessoas beber das duas aguas, outras lavar os olhos nas duas pias, outras com bilhas; mas a virtude principal das duas aguas combinadas é contra as sezões.

No arraial de S. Julião vendiam-se poucos comestiveis: bolos de S. Julião, fartes, queijadas, melões e peras, pevides, favas torradas.

Os fartes ou bolos de S. Julião são feitos de massa de trigo com assucar, me pareceu, e alguma canella. São bolos locaes que segundo me affirmaram só se fabricam por occasião da festa.

Vi ahi algumas portas com fechadura especial composta de uma haste grossa, com sua travinca, e que se abre por meio de um páosinho de feitio vario.

Na Ericeira tambem encontrei essa fechadura que eu não conhecia. Um popular explicou-me:==isto é fecho com cavilhas e chaveta.

As pedras de mysterio em S. Julião.—São umas lapides bem trabalhadas com os nomes de S. Julião, S. Basilisa, e Ave Stella matutina, e outras phrases piedosas, dispostas caprichosamente.

Assim Juliam, Basilissa e matutina, em caracteres capitaes muitas vezes repetidos enchem quadrados tendo no centro as iniciaes J. B. e M. e achando-se a palavra lendo para qualquer lado, até aos vertices da figura.

Proximo da ermida ha um logar, o fojo, grande fenda natural da escarpa, onde se deu um milagre; ahi numa lapide lavraram um monogramma que deve significar Mater Christi. E no angulo do alpendre, superiormente, um cubo de marmore com meridiana muito curiosa.