O mesmo imposto para o bofon, ou bufarinheiro.
Á vista do foral a condição dos pescadores não tem variado do seculo XIII para cá. Os mesmos perigos, egual miseria, e a mesma incuria, a mesma falta de protecção.
Sentindo a brisa fortemente salgada, alargando o olhar pela magestosa amplidão do oceano, vem o desejo de saber alguma cousa do que se passa ahi, no meio aquatico, onde pullula a vida. O dr. Augusto Filippe Simões fez um livro bem interessante de vulgarisação scientifica com algumas observações pessoaes, as Cartas da beira-mar (Coimbra, 1867).
Simões era um sabio e um litterato erudito, escrevendo com muita consciencia. Em linguagem facil, corrente mas cuidada, descreve-nos o oceano, os seus problemas, a salsugem, os movimentos, as marés; e a vida que se agita n’essas aguas, a zoologia e a botanica marinhas.
Um livro que recommendo para a temporada da Ericeira é o Estado actual das pescas em Portugal, pelo distincto official da armada, sr. A. A. Baldaque da Silva (Lisboa, 1892). Tem estampas coloridas representando peixes, crustaceos, molluscos, muitas gravuras de barcos e apparelhos de pesca; não olvidando a focinhada ou focinheira ericeirense, e a antiga rasca que passou á historia; descreve tambem a costa maritima, tão variada em aspectos e circumstancias.
Recentemente vi um livro bem interessante, de sciencia moderna; é L’Océan. Ses lois et ses problèmes, por J. Thoulet (Paris, Hachette, 1904).
Thoulet é um oceanographo que estuda o mar e sabe expôr com clareza as muitas questões da sciencia do mar, a oceanographia, tão moderna e já tão vasta. A chimica do mar, a formação de sedimentos de origens varias, a temperatura e a pressão nos abysmos, a formação da vaga e a razão das marés, as correntes, a vida nas grandes profundidades quietas e sem luz, apparecem-nos tratadas em largos capitulos de leitura que prende a attenção, sem fatigar o espirito.
No 4.ᵒ volume das Maravilhas da natureza, segundo o plano de Brehm, obra celebre, revista e ampliada na parte relativa a Portugal pelo sr. dr. Balthasar Osorio, sabio lente da Escola Polytechnica de Lisboa, trata-se de peixes, em leitura facil e agradavel.
Como tambem desperta a attenção o aspecto raro das arribas, das suas curvaturas, fendas, aberturas, cavernas, onde apparecem rochas brancas, vermelhas, negras, esverdeadas, cinzentas, umas cheias de fosseis, outras sem vestigio de vida animal ou vegetal, eu lembro a leitura no vol. 2.ᵒ de La face de la terre por Ed. Suess (trad. de E. de Margerie. Paris, 1900), do capitulo intitulado: Os contornos do Oceano Atlantico.