O ramo mais novo da familia Saboia era representado pelo principe de Carignan, que em 1823 fez como granadeiro do exercito francez a campanha de Hespanha, tendo-se distinguido principalmente no Trocadéro.
Em 1840 n'uma audiencia que me concedeu mostrou-me o seu sabre de granadeiro, e as dragonas de lã encarnada que conservava como reliquias da mocidade.
Victor Manuel I subindo ao throno, que provavelmente não lhe fora dado senão com esta condição, havia promettido aos soberanos seus alliados, o não fazer ao seu povo, fossem quaes fossem as circunstancias, em que se encontrasse a mais pequena concessão.
Mas o que era facil de prometter em 1815, era difficil de cumprir em 1821.
Desde 1820 os carbonarios haviam-se espalhado em toda a Italia. Em um livro que é mais uma historia do que um romance, no José Balsamo dissemos as origens do illuminismo e da franc-maçonaria.
Estes dois temiveis inimigos da realeza de que a divisa era L. P. D. (Lilia Pedibus Destrue) tiveram uma grande parte na revolução franceza. Swedenborg, de quem os adeptos assassinaram Gustavo III, era mago. Quasi todos os jacobinos e grande numero de cordeliers eram maçons, Philippe-Egalité era do grande oriente. Napoleão tomou a maçonaria debaixo da sua protecção, mas protegendo-a, desvirtuou-a, desviando-a dos seus fins, torcendo-a á sua conveniencia e fazendo d'ella um instrumento de despotismo. Não foi esta a unica vez que se forjaram cadeias com espadas.
José Napoleão foi grão-mestre da ordem, o archi-chanceller Cambacéres grão-mestre adjunto. A imperatriz Josephina estando em Strasbourg em 1805, presidiu á festa da adopção da loja dos franc-maçons de Paris. Por este mesmo tempo Eugenio Beauharnais era veneravel honorario da loja de Santo Eugenio de Paris, e tendo vindo mais tarde á Italia com a dignidade de vice-rei, o Grande Oriente de Milão o nomeou grão-mestre e soberano conservador do supremo conselho do gráo XXXII, isto é, concedeu-lhe a maior honra que segundo os estatutos da ordem se póde dar.
Bernardotte era maçon, seu filho o principe Oscar foi grão-mestre da loja sueca. Em differentes lojas de Paris foram successivamente iniciados: Alexandre, duque de Wurtemberg, o principe Bernardo de Saxe-Weimar, e até o embaixador persa Askeri-Khan. O presidente do senado, conde de Lacépêde presidia ao grande Oriente de França de que eram officiaes os generaes Kellermann, Massena, Soult, os principes, os ministros e os marechaes, os officiaes, os magistrados, emfim todos os homens notaveis pela sua gloria ou consideraveis pela sua posição ambicionavam a honra de serem maçons. As proprias mulheres quizeram ter as suas lojas maçonicas, nas quaes entraram M.mes de Vaudemont, de Carignan, de Girardin, de Bosi, de Narbonne, e muitas outras pertencentes á alta aristocracia franceza. Uma unica foi recebida, não com o titulo de irmã, mas com o de irmão: foi a celebre Xaintrailles, a quem o primeiro consul tinha dado a patente de chefe de esquadrão.[1] Mas não era só em França que n'essa época florescia a maçonaria.
O rei da Suecia, em 1811 instituiu a ordem civil da maçonaria. Frederico Guilherme III da Prussia tinha, pelos fins do mez de julho de 1800 approvado a constituição da grande loja de Berlin. O principe de Galles não cessou de governar a ordem em Inglaterra, senão quando em 1813 foi nomeado regente. Emfim no mez de fevereiro 1814, o rei da Hollanda, Frederico Guilherme, declarou-se protector da maçonaria, e permittiu que o principe real, seu filho acceitasse o titulo de veneravel honorario da loja de Guilherme Frederico de Amsterdam.
Depois da volta dos Bourbons á França o marechal Bournonville pediu a Luiz XVIII para collocar a maçonaria debaixo da protecção d'uma pessoa da familia real; mas como Luiz XVIII era dotado de excellente memoria, e não havia esquecido a parte que ella tinha tomado na catastrophe de 1793 recusou, dizendo que nunca consentiria que membro algum da familia real, formasse parte de qualquer sociedade secreta fosse ella qual fosse.