Quanto a mim, saboreava voluptuosamente o meu mate, especie de chá do Paraguay, que se toma de uma cabaça com o auxilio de um canudo de vidro ou de pau.
Comtudo, não duvidava que o coronel Fuinha, sendo natural do paiz, tivesse com a sua astucia illudido a vigilancia da minha tropa, não causando a sua presença sobresalto aos animaes, e que estaria talvez com os seus cento e cincoenta austriacos deitado em algum bosque a quinhentos ou seiscentos passos de nós.
Repentinamente, com grande admiração minha, ouvi por detraz de mim, tocar a carregar.
Voltei-me.
Infanteria e cavallaria carregavam ao gallope; cada cavalleiro trazia um homem na garupa. Os que não tinham cavallos corriam a pé agarrados ás crinas. Dei um salto e achei-me no galpon; fui seguido pelo cosinheiro mas o inimigo estava tão proximo de nós que no momento em que eu transpunha o liminar da porta, senti o chapeu atravessado por uma lança.
Ja disse que os fuzis estavam carregados na grade da mangedoura. Tinha sessenta.
Agarrei em um e descarreguei-o, depois um segundo, e um terceiro, com tanta rapidez, que não se poderia julgar que me achava só, e com tanta felicidade que tres homens cahiram.
Tres outros tiros se succederam aos primeiros, e como atirava ao grupo, todos eram funestos.
Se o inimigo, tivesse a idéa de assaltar o galpon estaria tudo acabado, mas o cosinheiro tinha-se-me unido e fazia tambem fogo, de modo que o coronel Fuinha, apesar de toda a sua esperteza, julgou que todos nós estavamos reunidos.
Por consequencia retirou-se para uns cem passos de distancia do alpendre, e começou a fazer alguns tiros de quando em quando.