Porem nós luctavamos com as mesmas dificuldades, com que Garibaldi luctou em 1859.

Os corpos dos voluntarios, que representam o espirito da revolução assustam sempre os governos, uma só palavra bastará para dar idéa dos nossos.

Era Mazzini o porta-bandeira, e uma companhia denominava-se Medici.

Por esta razão, commeçaram a recusar-nos armas; e um homem d'oculos, que occupava um logar importante no ministerio, dizia em voz alta que eram armas perdidas, por que Garibaldi era um espadachim, e mais nada.

Nós diziamos, que nos forneceriamos d'armas, porém que ao menos nos dessem uniformes, responderam-nos, que não havia uniformes, mas abriram armazens onde existiam uniformes austriacos, hungaros e croatas.

Eram os proprios, para gente que pedia para morrer combatendo croatas, hungaros e austriacos, e todos os nossos soldados, mancebos pertencentes ás primeiras familias de Milão, de que algumas eram millionarias, recusaram com indignação.

Mas como era necessario tomar uma resolução, porque não podiamos combater uns de fraque outros de sobrecasaca, acceitamos os fatos dos soldados chamados ritters, e fizemos delles uma especie de bluses.

Era irrisorio pois pareciamos um regimento de cosinheiros, e era preciso ter boa vista para reconhecer debaixo d'aquelle panno grosseiro a flor da mocidade milaneza.

Em quanto que se affeiçoavam os fatos á medida de cada um, procuravam-se armas e munições por todos os meios possiveis, e emfim depois de armados e vestidos, marchamos para Bergamo, cantando hymnos patrioticos.

Pelo que me diz respeito tinha debaixo das minhas ordens, cerca de 180 jovens, quasi todos, como disse, das primeiras familias de Milão.