Chegamos a Bergamo, e nos juntamos a Mazzini, que vinha tomar o seu logar nas nossas filas, e foi recebido com acclamações.
Ahi um regimento de linha regular piemontez se nos juntou, trazendo comsigo duas peças pertencentes á guarda nacional.
Apenas chegamos, recebemos uma ordem da «comité» de Milão, que se compunha de Fanti, Maestri e Resteli, para voltarmos a marchas forçadas para Milão; obedecemos e começamos a nossa contramarcha para Milão.
Porém chegando a Monza, soubemos que Milão tinha capitulado e que um corpo de cavallaria austriaca tinha sido mandado em nossa perseguição.
Garibaldi ordenou então uma retirada sobre Como, a nossa estrategia era approximar-nos quanto nos fosse possivel da fronteira suissa. Garibaldi mandou-me para a retaguarda para sustentar a retirada.
Estavamos já muito cançados da marcha forçada que acabavamos de fazer, não tinhamos tido tempo para comer em Monza, cahiamos de fome e cançasso, e a nossa gente retirava-se em desordem e completamente desmoralisada.
O resultado d'esta desmoralisação foi que quando chegamos a Como começaram-nos a desertar soldados, de modo que sobre cinco mil homens que tinha Garibaldi, quatro mil e duzentos passaram para a Suissa, ficando apenas com oitocentos.
Garibaldi como se tivesse ainda os seus cinco mil homens, com o seu sangue frio habitual, collocou-se em Camerlata, ponto de juncção de diversas estradas, diante de Como. Ahi estabeleceu uma bateria com as duas peças de artilheria, e expediu correios a Manara, Griffini, e a Durando e Apice, e aos chefes dos corpos de voluntarios da alta Lombardia, convidando-os a concordarem entre si, o tomarem posições fortes, e sustentaveis até á ultima, apoiados na fronteira suissa.
O convite não teve resultado.
Então Garibaldi retirou de Camerlata para San Fermo, onde em 1859, batemos completamente os austriacos. Porém antes de nos collocarmos na Praça de São Fermo, reuniu-nos e fez-nos uma falla.—Os discursos de Garibaldi, vivos e pittorescos, tem a verdadeira eloquencia do soldado. Disse-nos que era preciso continuar a guerra em guerrilha, que esta guerra era a mais segura e a menos perigosa, que bastava confiar no chefe, e ajudarem-se os camaradas.