Ao todo tinha duzentos e cincoenta homens. Dividi-os em oito ou dez bandos, que deviam por muitas estradas, evitando a vigilancia das tropas, reunir-se no castello.
Contra toda a esperança o projecto realisou-se completamente.
Cada um se encontrou no ponto de reunião sem encontrar impedimento; armei todos e estava prompto para partir para a montanha, quero dizer atravessar a fronteira.
Repentinamente ouvi tocar a rebate; as tropas dispunham-se a marchar em minha perseguição.
Mas os habitantes que me tinham votado amisade decidida, sublevaram-se em meu favor, e ameaçaram se se não calasse o tambor, de se armarem e fazer barricadas.
Livre d'este cuidado dei á minha gente ordem de se pôr em marcha; estavamos no fim de outubro, o norte soprava e promettia-nos nova noite de tempestade.
Marchámos toda a noite contra o vento, com o rosto açoutado pela neve. Vindo o dia, marchámos sem parar durante o seu curso; era preciso atravessar o cimo cuberto de neve do Jorio; o inverno tinha tornado impraticaveis as passagens; entretanto atravessamol-o com neve quasi sempre até ao joelho, muitas vezes até aos sovacos dos braços.
Depois de trabalhos infinitos, chegámos, emfim, ao cume; mas ali um inimigo mais terrivel do que todos os que tinhamos vencido até então nos esperava: a tormenta.
N'um instante ficámos completamente cegos, e não distinguiamos nada a dez passos de distancia.
Disse então aos meus bravos de se apertarem uns contra os outros, marchar n'uma só fila e seguir-me avançando com a maior rapidez. Tres ficaram para traz, cahindo para não mais se levantarem, escondidos em a neve, dormindo ou velando talvez no cume do Jorio.