—Garibaldi! Garibaldi!
Depois uma immensa multidão que o precedia, atirava com os chapeus ao ar, e agitava os lenços, gritando:
—Eil-o! eil-o!
Seria impossivel descrever o enthusiasmo que se apoderou da população logo que o viu; dir-se-ia que era o deus salvador da republica que corria a defender Roma; a coragem do povo cresceu então pela confiança que n'elle tinha, e pareceu que a assembléa não só tinha decretado a defeza mas até a victoria.
Algumas linhas da Historia da revolução romana, por Biagio Miraglia darão uma idéa d'este enthusiasmo:
«Este vencedor mysterioso, circundado de uma aureola de gloria tão brilhante, que, estranho ás discussões da assembléa, e ignorando-as, entrava em Roma na vespera mesmo do dia em que a republica ia ser atacada, era, no espirito do povo romano, o unico homem capaz de sustentar o decreto de resistencia.
«Por isso, immediatamente se reuniram ao homem que personificava as necessidades instantaneas e que era a esperança de todos.»
D'esta fórma a necessidade publica dava a Garibaldi o seu posto de general, contestado na ultima guerra por aquelles mesmos por quem elle combatia.
⁂
Garibaldi não poude dar-nos os detalhes que se seguem, pela necessidade que tinha de partir immediatamente para a Sicilia; foram-nos porém fornecidos pelo seu amigo, M. Vecchi, o historiador da guerra de 1848, o membro da assembléa romana, o soldado do dia 30 de abril, 3 e 30 de junho; finalmente, o homem em cuja casa Garibaldi passou o ultimo mez da sua estada em Genova, e que d'ali sahiu para embarcar.