FERNANDO.
LXVI.

Não te queiras mais deter,
Busca jogos, e harmonias,
Poronde tomes alegrias,
Antesque hajão de volver.
Oh! Senhor, tomai prazer,
Que o grão Porco selvagem
Se vem ja de seu querer,
Meter em vosso poder
Com seus portos, se passagem.

LXVII.

Em os campos de Tropé
Vossa frauta tangereis,
E nos campos de Godofré,
E nas terras de Thome
Todos nellas bailareis,
Com os filhos de Ullisse,
Que gostão nosso tanger.
Nenhum porco roncará,
Nenhum lobo huivará
Senão por vosso querer.

PROGNOSTICA O AUTHOR OS MALES DE PORTUGAL, CANTA SUAS GLORIAS COM A ACCLAMAÇÃO DO REI ENCUBERTO.

LXVIII.

Forte nome he Portugal,
Um nome tão excellente,
He Rei do cabo poente,
Sobre todos principal.
Não se acha vosso igual
Rei de tal merecimento:
Naõ se acha, segun sento,
Do Poente ao Oriental.

LXIX.

Portugal he nome inteiro,
Nome de macho, se queres:
Os outros Reinos mulheres,
Como ferro sem azeiro;
E senão olha primeiro,
Portugal tem a fronteira,
Todos mudão a carreira
Com medo do seu rafeiro.