Minha obra he mui segura
Porque a mais he de correia,
Se a alguem parecer feia,
Naõ entende de costura.
Eu faço obra de dura,
E não ando pela rama,
Conheço bem a courama,
Que conve[m] á creatura.
Sei medir, e sei talhar,
Semque vos assim pareça:
Tudo tenho na cabeça,
Se o eu quizer usar.
E quem o quizer grozar,
Olhe bem a minha obra,
Achará, que inda me sobra
Dous cabos pera ajuntar.
Sempre ando occupado
Por fazer minha obra boa,
Se eu vivera em Lisboa,
Eu fôra mais estimado.
Contente sou, e pagado
De lançar um so remendo,
Indaque estem remoendo,
Não me toquem no calçado.
SENTE BANDARRA AS MALDADES DO MUNDO, E PARTICULARMENTE AS DE PORTUGAL.
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I.
Como nas Alcaçarias
Andão os couros ás voltas,
Assim vejo grandes revoltas
Agora nas Clerezias.