Minha obra he mui segura
Porque a mais he de correia,
Se a alguem parecer feia,
Naõ entende de costura.

Eu faço obra de dura,
E não ando pela rama,
Conheço bem a courama,
Que conve[m] á creatura.

Sei medir, e sei talhar,
Semque vos assim pareça:
Tudo tenho na cabeça,
Se o eu quizer usar.

E quem o quizer grozar,
Olhe bem a minha obra,
Achará, que inda me sobra
Dous cabos pera ajuntar.

Sempre ando occupado
Por fazer minha obra boa,
Se eu vivera em Lisboa,
Eu fôra mais estimado.

Contente sou, e pagado
De lançar um so remendo,
Indaque estem remoendo,
Não me toquem no calçado.

SENTE BANDARRA AS MALDADES DO MUNDO, E PARTICULARMENTE AS DE PORTUGAL.

* * * * *

I.

Como nas Alcaçarias
Andão os couros ás voltas,
Assim vejo grandes revoltas
Agora nas Clerezias.