Naquella manhã ditosa
O sol mandava-nos beijos;
Do rouxinol os solfejos
Suspiravam na amplidão.
Se me lembro, ai! se me lembro
D'esse amplexo demorado,
Com que tu, meu lirio amado,
Uniste-me ao coração!
Grasnava o côrvo agoirento,
As sêccas folhas cahiam,
E uns tristes raios desciam
Da plumbea curva dos céus.
Se me lembro, ai! se me lembro
Da fria e grave mesura
Que, naquella tarde escura,
Fizeste ao dizer-me—adeus!