A imperial vivenda: a sala é deslumbrante:
Ouro e gêmmas sem fim confundem-se á porfia.

Das lampadas rebrilha o lume coruscante;

Nos triclinios esplende a purpura escarlata,
A fina tartaruga e o sandalo odorante.

Aos angulos da sala, em primorosa prata,

Erotico esculptor grupos fundiu lascivos,
Em cujos membros nús Volupia se retrata.

Resaltam da parede os satyros esquivos

Sob o pampano alegre: as nymphas, em corêas,
Dançam na riba, em flôr, de arroios fugitivos.

Em marmórea piscina enroscam-se as murêas,

Dos patricios de Roma o pabulo dilecto,
Vezes sem conto, escravo, ali rompeste as veias!

Pendem verdes festões do primoroso tecto,