D'essa mulher, e ri abominavelmente,
Um homem só, o algoz, vae triste e reverente.

Póde nascer ao pé da forca um lirio branco.

A carreta parou. Desce a rainha. Nisto

Viram-se uns braços nús

Erguerem para o ar, á flôr da multidão,
Uma loura creança, alegre como a luz,

Suave como o Christo,

A quem talvez faltando em casa a enxerga e o pão,
A mãe quizera dar aquella distracção.

No primeiro degráu da escura guilhotina

A rainha de França

Ergueu o olhar e viu essa gentil creança
Levar a mão á flôr da bôcca pequenina,
E atirar-lhe, a sorrir, um beijo doce e honesto...