O nome de Gregorio de Mattos basta para que faça despertar logo no espirito de muitas pessoas as engraçadas anecdotas que de sua vida ainda hoje correm, vindas vagamente de geração em geração, accrescentando-se-lhes ou diminuindo, como é natural, uns pontinhos de mais ou de menos. Vejamos, por exemplo, tres das mais curiosas que vogam, contadas de modos inteiramente diversos.

O bispo do Pará d. fr. João de S. José Queiroz, nas suas Memorias, publicadas em 1868 pelo sñr. C. Castello Branco, narra:

«Fez Gregorio de Mattos, em Pernambuco, uma satyra universal ao clero e religiões. Escapou-lhe um clerigo, por lhe não occorrer e viver fóra da cidade. Foi este simples sacerdote procurar o poeta e agradecer-lhe muito o não o metter na satyra. Perguntou-lhe o Mattos o nome e onde assistia. E depois accrescentou: «Reparou Vm. na obra, num multitudo cavallorum que lá vém?»—Sim senhor, disse o clerigo. «Pois alli está Vm. mettido,» concluiu o mordaz poeta.»

O seu biographo, Pereira Rebello, porém, dando conta d’esta passagem, diz:

«... Nem havia lisonja que desmentisse as durezas d’aquelle engano, o que se prova com esta decima:

A nossa Sé da Bahia,

Com ser um mappa de festas,

É um presepe de bestas,

Si não fôr estrebaria;

Varias bestas cada dia