Que esplendido porvir! Do nada apenas sahes
Começas a morder as purpuras reaes
Ó filho trivial da livida canalha!…
E, vamos, deixa ver, guardaste uma navalha,?!
Não tremas que eu bem vi! que trazes tu na mão?
Intentas já limar as grades da prizão,

Fazendo scintillar um ferro contra o solio
Archanjo que adejaes nos fumos do petroleo?!…
Mas, vamos abre a mão: não queiras que eu te dê.

Bandido eu bem dizia!—a carta do A B C!…

IX

Ó lirios da cidade, ó corações doentes
Das vagas affecções modernas e galantes;
Eu sei que vós morreis aos sons agonisantes
Das orchestras febris,—nos sonhos dissolventes!

Sois os fructos gentis que balançaes pendentes
Nas arvores da vida; e os pobres viajantes
Famintos d'ideal, sorriem triumphantes
Julgando-vos colher nas seivas innocentes!

E tragam com fervor o pomo apetecido
Que deve ter um mel oculto no tecido,
—Um raio bom do sol que nos sorri tão alto;

Mas vós que sois da moda um luminozo aborto,
Como os fructos crueis das margens do mar morto
Apenas conteis dentro uma porção d'asphalto!

X

MISERIA SANTA