E sobre alguns montões de mortos ainda quentes,
Emfim campeias, tu,
Que déste á sagração das cousas dissolventes
Um Petroneo-Sardou!

Porém, quando ao colher ainda um beijo á Fama
Um dia avanças mais,
Teu carro triumphal trambolha-te na lama
E então como tu saes!…

Revolves-te no horror das vis, infectas ondas
De lodo e podridão,
E vaes de manto roto e vestes hediondas
Buscar a escuridão!

Em vez de reclinar a fronte ao sol ardente
Da luta que sorri,
Do fumo dos canhões fugiste, e de repente…
Matou-te um bistori!…

Que entrada a tua, então, na funebre morada,
Pizando, incerto, o pó,
Á luz d'uma lanterna, ao vir da encruzilhada,
Sinistro, sujo e só!

Das cinzas levantou-se um brado entre os jazigos
Dos bons e dos leaes,
Apenas descobriste a marca dos castigos
Nas faces triviaes!

E quando te assustava o olhar altivo d'Hoche
E o gesto de Danton,
Sorria-te na sombra o amor da Rigolboche
Meu cezar-Benoiton!

73—Janeiro.

XXII

Á HORA DO SILENCIO