Redobra d'appetite! Alonga-se a teu lado
A fila tenebrosa! O espectro do soldado
A par do que vergou cançado de cavar:
E o mineiro sem luz, o martyr legendario;
E amparando-se a custo ao velho proletario
A flôr do lupanar!

Mastiga a turba vil e alonga essa guela!
Bem vês que vem chegando um corpo de donzella
Que pela candidez recorda uma vestal!
Voou-lhe, n'um sorriso, o derradeiro arranco
E traz viçoso ainda um grande lyrio branco
No seio virginal!

Ó monstro sensual na sombra tripudia!
Celebra no silencio a tenebrosa orgia,
Que as Deusas vem chegando ao lubrico festim!
N'um beijo os labios colla á frigida epiderme
E o D. Juan da morte, o cavalheiro Verme,
Que viva e gose emfim!

Eu quero ver-te farta, em halitos profundos,
Dormindo o somno vil dos animaes imundos,
De ventre para o ar; serpente infecta e má!
E ámanhã, na estação dos candidos amores,
Veremos rebentar n'um tapete de flôres
O lixo que em ti ha!

E a santa mocidade; as languidas mulheres;
Virão depois colher os gratos malmequeres,
Pizando-te sem medo e cheias de desdem,
Em danças sensuaes; o fato em desalinho;
Compondo-te canções; regando-te de vinho;
Sem pena de ninguem!

E tu que és monstruosa, infame, vil, medonha;
Que não mostras pudor; que não sentes vergonha;
Que és a campa-monturo e não pódes ser mais;
Cingida em fim, tambem, de rosas orvalhadas,
Terás dado um perfume ás almas namoradas,
E pasto aos animaes!

XXXII

Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos,
Que ás vezes revoaes nas salas deslumbrantes,
N'um grande mar de tulle, ethereas, fluctuantes.
Aos suspiros fataes dos meigos violoncellos;

Que bom que era sonhar nos pallidos castellos,
Á noite, á beira mar, nas solidões distantes,
Nos tempos em que a flôr dos timidos amantes
Á lua confiava os intimos anhelos!…

Agora sois gentis, despepticas, vistosas;
Pagaes por alto preço as exquisitas rosas;
Nos rapidos wagons correis o mundo em roda;