O mais formoso templo do mundo não tinha tão rica collecçâo de marmores, polidos pela acção da agua que as banhava, cahindo-lhes pela face como um véo diaphano.
Era uma maravilha! e para que fosse completa, os reflexos d'aquella variedade de cores sobre as limpidas aguas do interior, davam-lhes a apparencia d'um pavimento de mosaico altamente polido.{41}
Preocupava-me a mysteriosa faculdade que ella possuia de poder dispensar a renovação do ar nas grandes profundidades.
Era evidente que eu tinha attravessado essa zona e que, á propria pressão das aguas, devêra a existencia.
Lembrava-me bem, sentir-me desfallecer, e que, necessariamente, teria succumbido se não é entrar n'um outro meio, que só podia ser; ou ganhar a superficie, o que era já impossivel por ter perdido completamente as forças; ou então, submetter os pulmões a uma influencia que inutilizava as faculdades para que foram destinados.
Ficavam, por outra, dotados de faculdades duplas, á semelhança da tartaruga, da phoca, da rã e d'outros amphybios.
Discorrendo por esta forma, achei muito natural que ao homem não fosse negado o que o Creador concedêra a animaes tão inferiores como eram aquelles.
Queria conhecer essa nova vida que me permittia observar, á vontade, e sem a imperiosa necessidade de voltar amiudadamente á superfície do mar, differentes peixes desconhecidos e plantas marinhas, sobretudo os coraes magnificos cujas dimensões, eu já tinha podido notar, augmentavam na razão da profundidade.
Ainda mais; se essa faculdade era douradoura, como parecia ser, podia até descer ao{42} fundo do Oceano e admirar a vida dos mares na sua maxima profundidade, vida que as recentes investigações declaravam riquissima, e dever ser de surprehendente effeito.
Communiquei-lhe os meus desejos.