Era um elegante atelier de pintor.
Luiz fôra sempre distincto na pintura para a qual tinha um talento natural; porem a mais caprichosa imaginação reinava em tudo quando eu estava vendo.
A téla reproduzia o trabalho; a fadiga, deixe-me assim dizer, de um cérebro febril e exaltado.
—Estes quadros são provavelmente, a reproducção fixa d'esses teus sonhos d'outróra?
—Não senhor! É da realidade!
Voltei-me para elle, e o meu olhar obrigou-o a dizer-me:
—«Sem duvida, julgas-te na presença de um mentecapto!»
—Em quanto te tinha como phantasista, ou para melhor dizer,—o nephelibata da pintura—não passavas de originalismo, mas quando me queres impôr que tudo isto é verdadeiro, francamente, não me parece que estejas no teu juizo perfeito.
—D'essa maneira, de que me serve contar-te a historia representada n'estes quadros?
Ter-me-has na conta de um improvizador, e não sei mesmo, se de intrujão.