—Descança, Luiz, lhe respondi: serei mudo como o tumulo.

—Não me opponho a que divulgues a minha singularissima aventura, pois poderá servir de proveito, com tanto que supprimas a minha individualidade.

Sabes, continuou elle, quanto eu lamentava não poder arrancar ao seio das aguas e ao centro da terra os seus mysterios! Pois bem! Um dia, precisamente a vespera d'aquelle em que desappareci, tinha-me lançado ás aguas, mergulhando a grande profundidade, como era meu costume, para admirar as plantas da costa submarina e a variedade de peixes que o pescador não apresenta no mercado.

De subito; pareceu-me distinguir um rosto humano e uns olhos que me espreitavam com curiosidade e interesse.

Veio-me á idea a lenda das sphinges, meio corpo de mulher e meio de peixe, ideia tão repellente, quanto attractiva era a espressão d'aquelle rosto.

Era-me, porém, precizo ganhar a superficie para renovar os pulmões de ar.{15}

Quando desci pela segunda vez, o mysterioso ser tinha desapparecido.

Não sei que influencia exercêra sobre mim tão singular apparição.

Queria profundar aquelle mysterio e temia-o ao mesmo tempo.

Não se me tirava da imaginação: sentia-me fatalmente arrastado para a borda do mar, mas, por cautella, armei-me de punhal que cozi pela bainha, ao fato de banho.