Iago não respondeu, pela simples rasão de que não podia fallar, apertado como estava entre os ferreos dedos do furioso africano.

Mas, levando a mão ao bolso, tirou d'elle um lenço de seda, bordado nos quatro cantos, e estendeu-o a Othello, emquanto fitava eloquentemente o marido de Desdemona.

Este retrocedeu alguns passos, como horrorisado, e fixando no lenço um olhar de louco, murmurou com phrases entrecortadas, a voz cheia de angustia:

—Como! O meu lenço!

«O lenço que era uma reliquia de minha mãe e de que fiz presente a Desdemona como a joia mais preciosa que possuia! A melhor prenda dos nossos amores em mãos extranhas!...

«D'onde o roubaste, traidor?—gritou a Iago, prompto a lançar-se de novo a elle.

—Cassio! Cassio é que o tinha e tirei-lh'o! apressou-se a responder o alferes, receando realmente pela sua vida, ao vêr a espantosa attitude de Othello.

—Tinha-o Cassio?—rugiu o mouro.

«Ira de Deus! Mas isso é impossivel! Impossivel!

«Mentes, traidor, infame! Diz-me que mentes ou te arranco as entranhas!