--Porque é, disse eu, que o ar aqui se conserva tão fresco? É um pouco espesso, mas é fresco.

--Santo Deus! Exclamou John erguendo-se com um pulo. Nunca pensei n’isso! Com effeito é fresco... Não póde vir de fóra pela porta de pedra, porque reparei perfeitamente que ella gira dentro de quelhas... Tem de vir de outro sitio. Se não houvesse uma corrente d’ar, deviamos ficar suffocados, quando aqui entramos hontem... Agora mesmo deviamo-nos sentir abafados. Evidentemente o ar é renovado. Vamos a vêr!

Ainda elle não findára, já nós andavamos, de gatas, ás apalpadellas, na escuridão, procurando sofregamente qualquer indicação de buraco ou fenda, por onde entrasse ar. Houve um momento em que pousei a mão no quer que fosse de gelado. Era a face da pobre Fulata, já rigida.

Durante uma hora ou mais, passamos assim apalpando todos os cantos, até que o barão e eu desistimos, esfalfados, e todos pisados de ter constantemente batido com a cabeça nos muros, nos dentes de elephante, e nas esquinas das arcas. Mas John continuou, sem perder a esperança, declarando que «era melhor aquillo que pensar na morte, de braços cruzados».

De repente, teve uma exclamação:

--Oh rapazes! Aqui! Vinde cá.

Com que precipitação corremos para o canto d’onde elle fallára!

--Quartelmar, ponha aqui a mão, onde está a minha. Ahi. Que sente?

--Parece-me que sinto um fio d’ar.

--Agora ouça!