Narrei então o que me succedera com esse sujeito Neville, quando estavamos acampando, lado a lado, em Bamanguato. Eu não o conhecia; nem então começámos relações, apesar de termos o gado junto. Mas conhecia perfeitamente o serviçal que o acompanhava, um chamado Jim. Era um Bechuana, excellente caçador--e, para Bechuana, esperto, consideravelmente esperto! Na manhã em que Neville devia metter-se para o sertão, vi Jim, ao pé do meu carrão, cortando folhas de tabaco.
--Para onde é essa jornada, Jim? Perguntei eu, sem curiosidade, só para mostrar interesse ao rapaz. Ides a elephantes?
Jim mostrou os dentes todos, n’um riso vivo:
--Não, patrão. Vamos a coisa melhor que marfim.
--Melhor que marfim!? Ouro?
--Melhor que ouro! Murmurou elle, arreganhando mais a dentuça.
Calei-me, porque não convinha á minha dignidade de patrão e de branco revelar curiosidade diante d’um Bechuana. Confesso, porém, que fiquei intrigado. D’ahi a pouco Jim acabou de cortar o tabaco. Mas por alli se quedou, rondando, coçando devagar os cotovêlos, á espera, com os olhos em mim. Não dei attenção.
--Ó patrão! Murmurou elle, n’uma ancia de desabafar.
Permaneci indifferente, por dignidade. Elle tornou:
--Ó patrão!