Calára-se, com os braços ainda abertos, o olhar perdido nas alturas.

--És um homem bem singular, Umbopa! Exclamou o barão, que o escutára assombrado.

O outro pareceu acordar, sorriu:

--Creio que nos assemelhamos, Incubú. Talvez eu tambem vá procurando um irmão entre as gentes que estão para lá das montanhas.

Olhei para Umbopa, com o sobr’olho franzido.

--Que gentes? Que sabes tu das gentes que vivem para lá das montanhas?

--Pouco, Macumazan, muito pouco. Ha para além uma terra de feitiços, de jardins, de gente valente... Ha tambem uma grande estrada branca, toda de pedra. Assim ouvi. Mas de que vale dizer? Quem lá chegar, lá verá!

Aquelle homem evidentemente sabia alguma coisa que não queria revelar. Elle decerto percebeu a minha desconfiança--porque acudiu, espalmando as mãos:

--Não te arreceies, Macumazan! Não te arreceies! Não abro covas para que tu cáias dentro. Se chegarmos a atravessar o deserto, eu te contarei o que sei. Mas a Morte está lá com uma lança, á nossa espera. Melhor te fôra, Macumazan, voltar aos teus elephantes... Fallei o que tinha a fallar.

E meneando a azagaia á maneira de saudação, desceu o comoro, recolheu ao acampamento--onde d’ahi a instantes o encontrámos limpando uma carabina, attento, calado, como qualquer servo cafre vasio de pensamento e vontade.