O barão, John e Umbopa tinham logo agarrado e apontado as carabinas. Os homens todavia continuavam avançando, devagar, em grupo. Percebi logo que nunca tinham visto espingardas, pelo modo como affrontavam assim tranquillamente os tres canos erguidos. --Baixem as armas! Gritei aos outros.

Tinha comprehendido tambem que a nossa segurança entre essa gente selvagem dependia toda de conciliação e de ardil. Apenas pois os companheiros baixaram as armas, caminhei lentamente para o velho.

--Bem vindo! Exclamei em Zulú, ao acaso, sem saber que idioma entenderiam aquelles homens.

Com surpreza minha, o velho comprehendeu. E respondeu logo, não em Zulú, mas n’um outro dialecto, tão parecido com o Zulú, que Umbopa e eu o percebemos perfeitamente:

--Bem vindo!

Como viemos a saber depois, a lingua d’este povo era uma fórma antiquada da lingua Zulú--e estando para o Zulú do sul como o inglez do tempo dos Tudores está para o inglez polido do seculo XIX. No emtanto o velho avançára outro passo, erguendo a mão.

--D’onde vindes? Continuou elle. Quem sois? Porque tendes tres de vós as faces brancas, e o outro a pelle como nós e como os filhos de nossas mães?

E apontava para Umbopa--que na realidade, pela figura, pela côr, pelas feições, era muito semelhante áquelles homens formidaveis. Eu então repeti a saudação ao velho. E, muito espaçadamente, para que elle apanhasse bem o meu Zulú:

--Somos gente d’outros sitios, vimos em boa paz, e este homem é nosso servo.

O velho abanou lentamente a cabeça, ornada de immensas plumas negras que ondulavam.