Para cidade d’Africa era enorme,--com seis milhas talvez de circumferencia, toda ella defendida por estacadas, e rodeada de pomares e de vastas aringas onde se aquartelavam tropas. Pelo centro corria um largo e claro rio, vadeado por pontes. Para o norte, a duas milhas, erguia-se uma collina, que offerecia a fórma singular d’uma ferradura: e, mais longe, a umas sessenta milhas, surgiam bruscamente da planicie, em triangulo, tres serras isoladas, escarpadas, todas cobertas de neve.
--A estrada (explicou Infandós, vendo que contemplavamos com estranheza os tres montes) acaba além n’essas serras, que se chamam as Tres Feiticeiras.
--E porque acaba além, Infandós?
--Quem sabe! Murmurou o velho encolhendo os hombros. As tres montanhas estão todas furadas por cavernas. Ha no meio d’ellas uma cova immensa. É lá que se sepultam agora os nossos reis. E era alli que os homens antigos, que sabiam tudo, vinham buscar certas coisas...
--Que coisas, Infandós? Exclamei eu, cravando n’elle um olhar que o sondava.
O velho sorriu, com uma grossa malicia de negro:
--Os Espiritos que vêm das estrellas sabem decerto mais do que um Kakuana...
--Com effeito! Acudi eu, n’um tom sciente e profundo. E por isso te posso dizer, Infandós, que esses homens antigamente vinham procurar um ferro amarello que rebrilha, e umas pedras brancas que faiscam.
--Talvez fosse, talvez fosse! Balbuciou Infandós, embaraçado, afastando-se bruscamente para lançar uma ordem aos carregadores da bagagem.
--Acolá, disse eu aos companheiros mostrando as Tres Feiticeiras, estão as minas de Salomão!