O silencio ainda pesou, mais profundo, diante d’aquella presença assustadora! Mas de repente o monstro (que logo comprehendemos ser Tuala, o rei) levantou a lança no ar. Oito mil lanças faiscaram ao sol. E de oito mil peitos rompeu, atroando o céo, a grande acclamação real:--Krum! Krum! Krum!

Depois, no silencio que recahira, vibrou uma voz, agudissima, estridula, horripilante, e que parecia vir da macaca agachada á sombra:

--Treme e adora, oh povo! É o rei!

E oito mil peitos de novo atroaram o céo, bradando:

--É o rei! É o rei! Treme e adora, oh povo!

E tudo de novo emmudeceu. Mas quasi immediatamente, ao nosso lado, houve um ruido de ferro batendo sobre pedra. Era um soldado que deixára cahir o escudo.

Tuala dardejou logo o olho cruel para o sitio onde o som retinira:

--Avança tu! Berrou, n’um tom trovejante.

Um soberbo rapagão sahiu da fileira, ficou perfilado.

--Cão infernal! Rugiu o rei. Foste tu que deixaste cahir o escudo? Queres que eu, teu chefe, seja escarnecido pelas gentes que vêm das estrellas!