Os «homens que matavam» eram uns doze negros gigantescos, de faces hediondas, com plumagens vermelhas, armados de facalhões e de azagaias pesadas.

--Bemvindos, gentes das estrellas! Gritou logo Tuala abatendo-se pesadamente sobre um escabello. Sentai, sentai! E não percamos o tempo que a noite é curta para as grandes coisas que têm de ser feitas. Olhai em roda, e dizei-me se nas estrellas tivestes jámais tantos valentes juntos... Mas vêde tambem como elles já tremem, os que abrigam maldade no seu coração!

--Começai! começai!--ganiu na sua silvante voz Gagula, que se agachára aos pés do rei. As hyenas têm fome de ossos, os abutres têm sede de sangue... Começai! começai!

Houve durante momentos um silencio lugubre, que pesava horrivelmente, como um prenuncio de matança e de horror.

O rei então agitou a lança. Immediatamente vinte mil pés se ergueram, e tres vezes, em cadencia, bateram no chão que tremia. Depois, lá ao fundo, d’entre as densas e escuras filas de homens, subiu ao ar um canto solitario, arrastado, plangente, infinitamente triste, findando n’este estribilho:

--Qual é a sorte, sobre a terra,
De quem teve de nascer?

E os regimentos todos volviam, n’uma unica, grande e rolante voz:

--Morrer!

Mas pouco a pouco, as companhias, umas após outras, foram entoando uma estrophe da canção, até que toda a vasta multidão armada formava um côro--côro barbaro, rude, informe, onde todavia por vezes distinguiamos como conscientes expressões de sentimentos--notas suaves e lentas de amor, brados triumphaes de guerra, canticos solemnes de oração. Depois os cantos varios fundiam-se n’um lamento unico, contínuo, ululado, como d’um povo n’um funeral. De repente tudo estacava. E de novo o lugubre estribilho gemia no ar:

--Qual é a sorte, sobre a terra,
De quem teve de nascer?