E de novo a multidão clamava n’um unisono desolado:
--Morrer!
O canto por fim findou, um sombrio silencio cahiu, o rei levantou as mãos. Immediatamente, sentimos como o trote ligeiro de pés de gazellas: e, d’entre os profundos renques dos soldados, appareceram correndo para nós estranhas e medonhas figuras. Percebi que eram mulheres, quasi todas velhas, pelos longos cabellos brancos e soltos que lhe batiam as costas. Traziam as faces pintadas ás listas brancas e vermelhas: dos hombros pendiam-lhe esvoaçando, e misturadas ás madeixas, longas pelles de serpente: em torno á cinta cahiam-lhe como breloques de ossos humanos que chocalhavam sinistramente: e cada uma brandia na mão uma curta forquilha.
Ao chegarem em frente a Gagula pararam, ferindo o chão com as forquilhas. E uma, a mais alta, alargou os braços, gritou:
--Mãe, aqui estamos!
--Bem, bem, ganiu o decrepito monstro. Tendes hoje os olhos bem claros, Isanusis?
--Bem claros, oh mãe!
--Tendes hoje os ouvidos bem abertos, Isanusis?
--Bem abertos, oh mãe!
--Ide então! Farejai, farejai! Entre esses todos descobri os que querem mal ao seu visinho, os que possuem o gado indevido, os que tramam contra o rei, os que devem morrer por ordem de «cima»! Farejai! Vêde os pensamentos que se não mostram, ouvi as palavras que se não dizem! Ide, meus lindos abutres! Os homens das estrellas têm fome e sêde de vêr a grande Justiça! Agora!