Com uivos horrendos, as sinistras creaturas dispersaram correndo, para todos os lados, através das fileiras armadas. Não as podiamos seguir a todas na sua obra mortal. De sorte que, por mim, cravei a attenção na que ficou junto de nós, uma velha, esgalgado feixe d’ossos, que deitava lume pelos olhos. Quando esta Harpia chegou em frente aos soldados parou farejando. Depois rompeu a dançar, girando sobre si mesma, tão rapidamente, que as longas grenhas soltas pareciam uma estrella feita de estrigas de linho a redemoinhar pelo ar. No emtanto ia gritando por entre silvos de alegria:--«Já o farejo, o homem do mal! Alli está elle, o que envenenou a mãe! Acolá treme o que pensou mal do rei!»
E, cada vez mais vertiginosamente, vinha girando, girando, até que a espuma lhe sahia aos flocos da bôca e os ossos lhe rangiam alto! De repente estacou, hirta, tesa, como petrificada. Depois, devagar, devagar, como uma fera que rasteja, avançou de forquilha estendida para a fileira de soldados, que visivelmente se encolhiam n’um indominavel terror. Parou ainda, outra vez tesa e hirta. Por fim, com um brado estridente, arremetteu, e bateu com a forquilha no peito d’um rapaz soberbamente forte.
Dois camaradas immediatamente o agarraram pelos braços, o empurraram para defronte do rei. O desgraçado caminhava sem resistencia, inerte, já morto na alma. O bando dos executores avançára a passos graves:
--Mata! Disse o rei.
--Mata! Ganiu Gagula.
--Mata! Rugiu Scragga.
E antes que as palavras se perdessem no ar, o miseravel tombára morto, com uma azagaia cravada no peito, o craneo aberto por uma pancada de clava.
--Um, contou Tuala, sorrindo com satisfação.
Mal findára o feito horrivel, já outro soldado era arrastado como uma rez,--um chefe decerto, esse, porque lhe pendia dos hombros a capa de pelle de leopardo. Dois golpes de facalhão vibrados com destreza bastaram para o acabar sem um suspiro.
--Dois! Contou o rei.