--Bem. Tereis o milagre. Agora Infandós, que é experiente, diga o momento em que mais convem que nós apaguemos o sol.

--Apagar o sol! Murmuravam os chefes entre si. A grande lampada! O pae de tudo, que brilha eternamente!

--Falla, Infandós!

--Meu senhor, é na verdade um milagre espantoso que vós prometteis! Mas emfim... O melhor momento é o da dança das Flôres, que ha de logo começar ao meio-dia. As mais lindas raparigas de Lú estão lá, para dançar. E aquella que Tuala achar mais linda de todas é, segundo o costume, morta por Scragga em sacrificio aos Silenciosos, as figuras de pedra que estão além na montanha vigiando. Que os meus senhores n’esse momento apaguem o sol, salvem a rapariga, e o povo acreditará!

--O povo na verdade acreditará! Exclamaram todos os chefes.

--A duas milhas de Lú, continuou Infandós, ha uma collina em fórma de meia lua, que é realmente uma fortaleza, onde estão aquartelados o meu regimento e tres outros que estes chefes commandam. Mas podemos arranjar de modo que ainda esta manhã cedo marchem para lá tres ou quatro regimentos dos mais fieis á minha vontade. E se os meus senhores apagarem com effeito o sol, eu poderei, a favor da escuridão, fazel-os sahir do terreiro real e da cidade, e leval-os para essa fortaleza, onde ficarão a salvo e d’onde começaremos a guerra contra o rei.

--Está entendido, resumi eu. Agora ide, que queremos dormir e depois combinar com os Espiritos!

Com longas reverencias, Infandós e os chefes deixaram a nossa aringa. O sol ia nado.

--Oh meus amigos, exclamou Ignosi, apenas elles partiram. É certo que podeis fazer esse milagre, ou estaveis vós ganhando tempo e soltando no ar palavras vãs?

--Parece-me que não nos ha de ser difficil, meu Umbopa, quero dizer, meu Ignosi, declarei eu sorrindo.