--Não! É um almanach maritimo, não póde estar errado. Os eclipses são calculados mathematicamente. Não ha nada mais pontual que um eclipse... Durante meia hora, tres quartos de hora talvez, esta região toda ficará em trevas.
--Eu, por mim, disse o barão, parece-me que devemos arriscar o eclipse.
--Vá pelo eclipse!
Mandamos Umbopa buscar os chefes. Quando voltaram, cerrei a porta da cubata com um sombrio apparato de mysterio, e comecei por lhes declarar, magestosamente, que nós os homens das estrellas não gostavamos de alterar o curso natural das coisas e mergulhar o mundo em terror e confusão... Mas, como se tratava d’uma grande e santa causa, estavamos decididos a fazer um milagre.
--Escutai! Julgaes vós que um homem póde soprar sobre o sol, e apagal-o?
Os chefes olharam para mim, recuando com assombro.
--Não, murmurou um d’elles, não ha homem que o possa fazer! O sol é mais forte que toda a terra!
--Perfeitamente, conclui eu. Pois ámanhã, depois do meio dia, nós homens das estrellas apagaremos o sol durante uma hora, espalharemos trevas sobre a terra, e será o signal de que Ignosi é o verdadeiro rei dos Kakuanas e que o povo deve tomar armas por elle. Será bastante este milagre?
O chefe da carapinha branca abriu os braços para nós, esgazeado:
--Oh gentes das estrellas, senhores das grandes artes, esse milagre será mais que bastante!