É um leve bisturi, bem afiado, de dois gumes.

No verão de 1886 (se não estou em erro) em Cintra, na quinta do Relogio, Ramalho dansa, n'um cotillon, com a Senhora Duqueza de Bragança.

Os Vencidos da Vida, com excepção talvez do Snr. Guerra Junqueiro, são a nata da elegancia e do palacianismo; elle lá estava, no seu posto, ao lado dos companheiros de luctas demolidoras Oliveira Martins e Eça de Queiroz.

Em 1889, morrem o infante D. Augusto e o rei D. Luiz.{36} As palavras que concede ao primeiro são repassadas d'uma ternura tão recatada que parecem escriptas no proposito de dizer á gente: Olhem que não fui eu quem suggeriu e, menos, escreveu no Album das Glorias (de que fui é certo, collaborador momentaneo) aquella charge tremendamente agressiva: «Nasceu (e segue-se uma pagina de pontinhos) é infante e general.»

Quanto ás paginas que dedica a D. Luiz, termina-as com as palavras da biblia: «Ouvimos, porém, que os reis d'essa casa teem por si a clemencia», dizendo que elle as merece aos seus mais encarniçados detractores...

É que «o seculo XIX, chegado ao periodo senil do seu termo padece (palavras de Ramalho) a apathica e sombria enfermidade de todas as incertezas moraes.»

Foram a essas incertezas moraes que tanto elle como os companheiros de criterio positivista fugiram ou tentaram fugir, pelo regresso a ideias e praticas que, n'um dado momento da vida—e, meu Deus, no momento em que cabouqueiros do Ideal de mais força dispunham para edificar—negaram inconsideradamente...

Mas o que é a Providencia!...

Os homens insignes, valentes Saúes, que vinham para desmantelar os bustos olympicos, não deixaram a outros o cuidado de plantar as cruzes.

Elles proprios volveram-se Paulos, n'essa Estrada de Damasco que é feita de factos, de observações, de experiencias e da sua respectiva historia.