O caixeiro serviu o champagne.

Mademoiselle tomou a sua taça e, erguendo-a, cumprimentou-me: M’sieur!

—Mademoiselle! correspondi; e os crystaes tiniram. Mas (e aqui faço a confissão da perfidia covarde de que me tornei culpado) não foi só isso, por baixo da mesa senti que um pésinho roçava pelo meu carinhosamente e, num movimento allucinado, calquei tambem, com toda a violencia do meu amor e com todo o peso dos sapatos inglezes. Mademoiselle, sem um protesto, impassivel, bebia; e eu, num delirio indomavel, baixava os olhos attrahidos pela alvura do seu collo esgargalado, de uma tez fina onde passavam fremitos dourados.

—Demora-se no Rio? indagou a divina Marion, rilhando as palavras.

—Pouco, mademoiselle.

—De onde é?

—De Minas.

—Ah! de Minas... Recolheu-se um instante e, pouco depois, perguntou-me com a sua voz mysteriosa, a encantadora voz de que falara o doutor:

—Conhece em Juiz de Fóra, Amancio...?

—Amancio! Amancio de que, mademoiselle? E os nossos pés trucidaram-se cruelmente.