—Muito prazer, doutor, e estendeu-me a mão dos accordes, humida e molle e, logo, apressado, traquinando: Vamos para a sala, vamos... Já devem estar á mesa. Tomou-nos a frente, abriu uma porta e meus olhos cahiram sobre uma calva polida que reluzia, balançando, de leve, muito regular, como certas pendulas de relogios iconicos.

Entrámos. Jantavam.

O doutor, muito conhecido na casa, foi recebido com um extenso oh! de todos que cercavam a mesa ampla, de carvalho, arranjada como para um banquete, com grandes ramos de flores e puddings tremulos em pratos de porcelana.

A mobilia, toda de carvalho, dava uma feição distincta e séria á sala, forrada de encerado inglez, com grandes reposteiros que pareciam descer do tecto. Creados celeres passavam sem rumor, de um lado para outro. O homem da calva agitava-se, com um guardanapo ao pescoço, esticando os braços para apanhar pedaços de pão numa corbelha de christofle, sempre a mastigar. Mirou-nos e sorriu para o doutor com a boca cheia. Sentámo-nos e logo foi-nos servida a sôpa.

—Que tem feito, doutor? Por onde tem andado? indagou um homemzinho engelhado.

—Negocios, meu caro.

—Não imagina como tem sido lamentada a sua ausencia. Um gordo soprou ao doutor: «O 7 deu hontem tres vezes seguidas. O Monteiro lembrou-se logo do amigo.» E voltando-se para a esquerda: Hein, Monteiro?

Uma voz balofa indagou: Que é?

—O 7, hontem...

—Homem, é exacto: tres vezes! E derreando-se sobre a mesa: Tres vezes, Gomes.