—Como! peixe sem vinho...? estás doido! E, teimoso, verteu no meu calice verde as gottas de Chablis. O vinho é um reactivo, disse-me. Lá porque hontem houve aquella historia queres deixar de beber...? Historia!... O vinho é um tonico poderoso. Atiça-lhe! e piscou-me o olho. Corei e bebi umas gottas.

—Então embarcas amanhan?

—Impreterivelmente!

—Mas que diabo vais fazer a Minas?...

—Preciso. Meu pai chamou-me e meu tio bem sabe...

—Ora, teu pai! Teu pai pensa que no Rio de Janeiro não ha outra coisa senão febre amarella. Deixa-te estar, homem... Goza a mocidade emquanto é tempo.

—Não, meu tio, sigo amanhan.

—Já sei, é por causa da scena do hotel. Pensas que o doutor tomou a sério as tuas bravatas? deixa-te disso. Elle tem criterio bastante para julgar essas coisas. Queres saber, sentiu-se tanto que até te trouxe á casa ao collo.

—Como! Ao collo, meu tio!

—Ao collo, sim, porque quando aqui chegaste foi um trabalho para que te tirassem do carro. Vinhas lacrimoso, soluçando, abraçado com o doutor, lamentando a perda da mulher amada e recitando emphaticamente versos do Simão Carreira. Esmurraste o doutor, mas, que diabo! murros de bebedo... E desatou a rir espalmando a mão larga e dadivosa sobre o meu hombro. Ora, o Anselmo! onde diabo foste achar tantas lagrimas? Teus olhos eram como duas torneiras abertas... Mas deixemos o que houve: aguas passadas... Vamos ao que serve: Temos hoje, á noite, a festa do Bessa. Esperam-te...