—Ora... A italiana não me atirou ao rosto Amor e Psyché, e eu?... Deixa-te disso. O mundo é um jogo de concessões. Deste-lhe um murro, amanhan ou depois elle t’o restituirá. Isto é assim. E, sem transição, cravou os seus olhos empapuçados no meu rosto: estava terno como uma mulher amorosa:

—Anselmo, porque não te formas? Não temos na familia um homem de sciencia...

Arrisquei o nome de meu tio padre—Cleofano Ribas...

—Cleofano... nem para missas! Temos aqui uma academia livre, estás prompto em humanidades, sabes latim, que é a palavra de honra de convicção nas tribunas; porque não te matriculas? Em dois annos podes estar formado. Ficas commigo. Que diabo! é preciso que eu faça alguma coisa pela patria—quero deixar-lhe um bacharel.

—Mas meu pai é contrario ás cartas. Desde que lhe receitaram tartaro para uma congestão hepatica tem horror aos homens formados.

—Teu pai é um misanthropo.

—Alceste, comparei sorrindo.

—Qual Alceste, nem meio Alceste. E serio: Que Alceste?

—De Molière, meu tio.

—Ah! pensei que era o das loterias, esse é um excellente homem. Mas voltou logo á questão: Se queres escrevo a teu pai?